No DIVÃ. Psicanálise e psicoterapia tiveram sua eficiência medida em um estudo científico alemão feito com métodos estatísticos avançados, no qual se concluiu que a psicoterapia psicanalítica foi duas vezes mais eficaz do que outras abordagens.
"Por meio de metanálise, pesquisadores alemães demonstraram que a técnica psicanalítica é mais eficaz que outras psicoterapias".
Falk Leichsering, professor de psicossomática e psicoterapia da Universidade de Giessen, e Sven Rabung, professorde psicologia médica da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, Alemanha, conduziram estudo sobre a eficácia da psicanálise, por meio de metanálise.Empregando métodos estatísticos avançados , esse procedimento permite equalizar estudos individuais de diferentes tipos, formando assim uma idéia de consenso.
Os pesquisadores compararam mais de mil estudos clínicos, feitos desde 1960 até 2008, envolvendo análise de eficácia de tratamentos realizados por mais de um anos ou 50 sessões. A psicanálise foi “operacionalmente” definida como: (...) uma terapia que envolve cuidado atento para interação entre paciente e terapeuta, com interpretações pensadas no tempo, na transferência e na resistÊncia, implicando apreciação sofisticada da contribuição do terapeuta ao campo interpessoal.
Comparando-se essa psicoterapia psicodinâmica de longo prazo (1.053 pacientes selecionados) com outras formas psicoterápicas ( Cognitivo-comportamental, dialético-comportamental, terapia familiar, terapia suportiva, terapia psicodinÂmica de curto prazo e tratamento psiquiátrico convencional), os resultados foram impressionantes:
- A psicoterapia psicanalítica mostrou-se duas vezes mais eficas que as outras abordagens considerando-se a "efetividade genérica". Quase quatro vezes mais eficas para distúrbios funcionais de personalidade e largmente mais eficaz para problemas relativos ao funcionamento social e para os sintomas específicos.
- A vantagem comparativa da psicoterapia psicanalítica ante as outras abordagens aumenta para patamares ainda maiores quando se consideram quadros complexos (complex mental disordes) como transtornos de personalidade, os mentais crônicos, os mentais múltiplos e as comorbidades. A melhora genérica do tratamento psicanalítico é 96% superior à dos demais. O dado ganha ainda mais força se levarmos em conta que mais de 50% dos casos considerados incluem dois ou mais diagnósticos.
- Um dado mais impressionante e contraintuitivo: o tratamento psicanalítico acompanhado de medicação psicotrópica é um pouco menos eficaz que o tratamento psicanalítico sem medicação psicotrópica adjuvante.
- Também são significativas as variáveis que não apresentam correlação de eficácia: idade, sexo, experiência prévia, geral ou específica do terapeuta, emprego de manuais ou programas de intervenção. Além dessas variáveis, destaca-se a ausência de correlação de eficácia quando se o subgrupo diagnóstico específico (dentro dos transtornos de personalidade, transtornos crônicos ou múltiplos, transtornos depressivos ou de ansiedade). Cai por terra, dessa maneira, o mito da terapia específica e a idéia de que certos quadros são mais curáveis por certas técnicas. Quem cura o quê? É a falsa pergunta para além do genérico: psicanálise.
- Outros autores estimam jque mais de 300 estudos, com resultados que contrariem esta tendência, seriam necessários para inverter os dados desta metanálise. O único motivo levantado pelos autres para desconsiderar o emprego da psicoterapia psicodinâmica de longo prazo é pouco clínico: o custo.
Dunker CIL. Eficácia da Psicanálise. Mente e Cérebro, memória da psicanálise 2009;9 (2) 14. |